sexta-feira, 2 de outubro de 2026

[A minha Opinião] - A Frágil Luz do Mundo

 

[A minha Opinião] - A Frágil Luz do Mundo

A Frágil Luz do Mundo, da autora francesa Marie Vareille, foi publicado pela Marcador, no início deste ano. Confesso que foi um livro que me passou ao lado. Então como é que acabaste a lê-lo, perguntam vocês? Graças à recomendação de três mantólicas, que disseram maravilhas sobre a leitura. Escusado será dizer que as expectativas eram muitas.  

A entrada nesta história foi algo difícil. Os primeiros capítulos foram algo confusos, não propriamente pela escrita da autora mas mais pela introdução à personagem central da história, Abigaëlle. Não me vou alongar muito em explicações porque acho que tudo se encaixa à medida que a leitura avança.    

Confesso-vos que não li a sinopse do livro e, talvez por isso, a história teve muito mais impacto em mim. Acompanhei ao longo de 272 páginas a vida de Abigaëlle e Gabriel, desde as suas infâncias à idade adulta. A estas duas personagens, junta-se uma terceira, Zoé, a mulher da vida de Gabriel. Serão essencialmente estas três pessoas a ocupar as grandes atenções da narrativa. Serão abordados temas duros e traumáticos e é preciso uma grande dose de inteligência e empatia para escrever sobre eles. 

Abigaëlle foi sem dúvida alguma a personagem que mais me marcou durante a narrativa, apesar de ao longo das suas conversas com o leitor, eu não conseguir traçar uma linha entre a realidade e a ficção. Mas sem dúvida que é a personagem "luz" de toda esta narrativa. O Gabriel acaba por me surpreender nos últimos capítulos do livro, à conta de algumas revelações que vão sendo feitas. A Zoé prova que é uma mulher de fibra e com alegria de viver.   

Marie Vareille escolheu contar-nos esta história de uma forma muito particular e original, que não vos posso revelar muito. Alternou entre o passado e o presente, para percebermos o contexto familiar das personagens, os seus sonhos e as suas dores. E nem sempre a narração da história se fez pela voz de Abigaëlle, o que ajudou a ir juntando as peças.  

Confesso-vos que apesar da dificuldade que senti inicialmente, a história foi-me conquistando a cada novo capítulo. É uma leitura pesada, porque apesar de os temas serem tratados de uma forma sensível e empática, custou-me ler algumas passagens. Dei por mim revoltada, furiosa, esperançosa, triste. Apesar de ser um romance de ficção, narra uma história que é muito real, infelizmente, em muitas famílias pelo mundo fora.   

Identifico como pontos extremamente fortes a forma como a autora escolheu narrar esta história. A forma como me enganou e surpreendeu em dois momentos chave da narrativa. E por último mas não menos importante, a relação dos irmãos Abigaëlle e Gabriel. Para mim só não funcionou a parte inicial da história. Estava à espera que me agarrasse logo às primeiras páginas. 

Mais do que uma história sobre violência, é uma história sobre relações, sobre amor, sobre estar presente e atento, sobre ser mais empático, sobre ler sinais, sobre encontrar nas coisas simples algo que nos faça felizes, sobre ter esperança e sonhos quando tudo parece desmoronar à nossa volta. 

Nas últimas páginas do livro, queria conhecer o final da história, mas ao mesmo tempo tinha receio do desfecho. Quando nos envolvemos tanto com a história e com as personagens, queremos protegê-las do mal que possa estar por vir. 

Foi uma leitura que me surpreendeu, que me emocionou e que sem dúvida continua comigo apesar do livro fechado. Se vos recomendo a leitura? Obviamente que sim! Leiam, leiam, leiam. Deixem-se envolver e surpreender pela história criada com mestria por Marie Vareille. Entra, sem dúvida, no lote das melhores leituras de 2026. Já estou imensamente curiosa por ler O desaparecimento de Sarah Leroy, o primeiro livro da autora publicado em Portugal. 

🌟🌟🌟🌟(4,5)

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