terça-feira, 22 de setembro de 2026

[A minha Opinião] - O Grito

[A minha Opinião] - O Grito

O Grito, de Jørn Lier Horst e Jan-Erik Fjell, é uma das novidades de setembro, da Dom Quixote. Fiquei com muita curiosidade de o ler, primeiro pela capa, que me chamou logo a atenção, segundo, porque é o início de uma nova série policial, escrita a quatro mãos, por dois autores nórdicos. Ora sendo eu fã deste género literário, era impossível não ficar curiosa. 

Este foi o meu primeiro contacto com qualquer um dos dois autores. Tenho na minha estante O Informador, de Jan-Erik Fjell, que ainda não li, mas depois desta leitura fica o bichinho da curiosidade. Confesso que iniciei a leitura sem muitas expectativas e com vontade de ser surpreendida. 

Desde a primeira frase percebi que a narrativa tinha tudo para ser interessante. "«Estão a ouvir o Crimecast», escutava-se no computador por cima da bancada da cozinha. «Esta é a minha voz, e o meu nome é Markus Heger»". Esta frase inicial deixou já antever que iria acompanhar o Markus nas suas investigações criminais. 

A história acompanha então a vida de Markus Heger, e as suas peripécias na busca de pistas para os casos criminais que investiga, no seu podcast. Neste caso o foco será num crime ocorrido há quinze anos, o do desaparecimento da pequena Leah Forsberg. O corpo nunca foi encontrado, mas o pai da menina acabou por ser acusado do crime. Agora a questão que se levanta é: Será que prenderam o verdadeiro culpado? É nisso que se foca a narrativa e também na própria história pessoal de Markus.  

Quanto às personagens, tenho de me focar, como é óbvio, na personagem principal, Markus Heger, um homem de 35 anos, atormentado por traumas do passado. Está numa fase de luto, pois perdeu a sua mãe recentemente e tem uma história algo complicada com a figura paterna. Quando começa a investigar a história de Leah, nem adivinham a quem pedirá ajuda. E mais não digo. 

Apesar de ser um policial escrito a quatro mãos, nunca notei, ao longo da narrativa que houvessem diferenças na escrita/ linguagem. Sou fã de capítulos curtos e de fartura de diálogos, e encontrei isso neste livro. São dois fatores, a meu ver, que fazem fluir a leitura e deixam-me agarrada à história. O facto de termos idas e voltas ao passado, tanto da vida de Markus, como à época do desaparecimento da Leah, faz com que a leitura não seja enfadonha, pelo contrário. Onde posso ter perdido uns segundos preciosos foi a tentar pronunciar palavras ou nomes em norueguês, como por exemplo: "lefse", que já agora é um tradicional pão de batata, ou nomes como: Fagernes, Valdresflya ou Grünerløkka.

Esta foi uma leitura que me fez sentir entusiasmo pela história que estava a ser narrada. Por este motivo é que era difícil pousar o livro. Deixou também o bichinho para visitar a Noruega, já que as paisagens descritas, deixam adivinhar um país de excecional beleza. 

A meu ver, os pontos fortes neste livro são primeiramente o personagem principal, Markus. É fácil sentir empatia por ele e torcer para que corra tudo bem. A temática da investigação criminal, tendo por base um podcast funcionou muito bem. E o facto dos capítulos serem pequenos é sempre um ponto a favor. Um ponto menos positivo, existem algumas personagens no livro que gostaria de ter sabido mais a seu respeito. Mas percebo que com um número significativo de personagens seja complicado dar-lhes mais atenção.  

A reflexão que fica deste livro é que todos os maus atos têm consequências e que nem sempre são apenas os culpados a sofrer. Muitas vezes, são as suas famílias e, sobretudo, os seus filhos inocentes que acabam também por sofrer as consequências.

O final, deixou umas pistas para o que poderá vir a acontecer na vida de Markus, até porque se este é o primeiro livro de uma série policial, haverá já um segundo volume, possivelmente. 

Recomendo, sem dúvida alguma, esta leitura a quem gosta de um bom policial. Acho que não há como os escritores nórdicos para nos cativarem com as suas investigações criminais. 

🌟🌟🌟🌟  

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