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"Os cientistas dizem que somos feitos de átomos, mas um passarinho me contou que somos feitos de histórias." [Eduardo Galeano]
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O Grito, de Jørn Lier Horst e Jan-Erik Fjell, é uma das novidades de setembro, da Dom Quixote. Fiquei com muita curiosidade de o ler, primeiro pela capa, que me chamou logo a atenção, segundo, porque é o início de uma nova série policial, escrita a quatro mãos, por dois autores nórdicos. Ora sendo eu fã deste género literário, era impossível não ficar curiosa.
Este foi o meu primeiro contacto com qualquer um dos dois autores. Tenho na minha estante O Informador, de Jan-Erik Fjell, que ainda não li, mas depois desta leitura fica o bichinho da curiosidade. Confesso que iniciei a leitura sem muitas expectativas e com vontade de ser surpreendida.
Desde a primeira frase percebi que a narrativa tinha tudo para ser interessante. "«Estão a ouvir o Crimecast», escutava-se no computador por cima da bancada da cozinha. «Esta é a minha voz, e o meu nome é Markus Heger»". Esta frase inicial deixou já antever que iria acompanhar o Markus nas suas investigações criminais.
A história acompanha então a vida de Markus Heger, e as suas peripécias na busca de pistas para os casos criminais que investiga, no seu podcast. Neste caso o foco será num crime ocorrido há quinze anos, o do desaparecimento da pequena Leah Forsberg. O corpo nunca foi encontrado, mas o pai da menina acabou por ser acusado do crime. Agora a questão que se levanta é: Será que prenderam o verdadeiro culpado? É nisso que se foca a narrativa e também na própria história pessoal de Markus.
Quanto às personagens, tenho de me focar, como é óbvio, na personagem principal, Markus Heger, um homem de 35 anos, atormentado por traumas do passado. Está numa fase de luto, pois perdeu a sua mãe recentemente e tem uma história algo complicada com a figura paterna. Quando começa a investigar a história de Leah, nem adivinham a quem pedirá ajuda. E mais não digo.
Apesar de ser um policial escrito a quatro mãos, nunca notei, ao longo da narrativa que houvessem diferenças na escrita/ linguagem. Sou fã de capítulos curtos e de fartura de diálogos, e encontrei isso neste livro. São dois fatores, a meu ver, que fazem fluir a leitura e deixam-me agarrada à história. O facto de termos idas e voltas ao passado, tanto da vida de Markus, como à época do desaparecimento da Leah, faz com que a leitura não seja enfadonha, pelo contrário. Onde posso ter perdido uns segundos preciosos foi a tentar pronunciar palavras ou nomes em norueguês, como por exemplo: "lefse", que já agora é um tradicional pão de batata, ou nomes como: Fagernes, Valdresflya ou Grünerløkka.
Esta foi uma leitura que me fez sentir entusiasmo pela história que estava a ser narrada. Por este motivo é que era difícil pousar o livro. Deixou também o bichinho para visitar a Noruega, já que as paisagens descritas, deixam adivinhar um país de excecional beleza.
A meu ver, os pontos fortes neste livro são primeiramente o personagem principal, Markus. É fácil sentir empatia por ele e torcer para que corra tudo bem. A temática da investigação criminal, tendo por base um podcast funcionou muito bem. E o facto dos capítulos serem pequenos é sempre um ponto a favor. Um ponto menos positivo, existem algumas personagens no livro que gostaria de ter sabido mais a seu respeito. Mas percebo que com um número significativo de personagens seja complicado dar-lhes mais atenção.
A reflexão que fica deste livro é que todos os maus atos têm consequências e que nem sempre são apenas os culpados a sofrer. Muitas vezes, são as suas famílias e, sobretudo, os seus filhos inocentes que acabam também por sofrer as consequências.
O final, deixou umas pistas para o que poderá vir a acontecer na vida de Markus, até porque se este é o primeiro livro de uma série policial, haverá já um segundo volume, possivelmente.
Recomendo, sem dúvida alguma, esta leitura a quem gosta de um bom policial. Acho que não há como os escritores nórdicos para nos cativarem com as suas investigações criminais.
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Olá mantólicos!
A rentrée literária marca o reinício da atividade editorial. Depois de um merecido período de férias, as editoras regressam em força, com novos lançamentos. De entre as inúmeras novidades que estarão nas livrarias este mês, selecionei quatro livros que me chamaram a atenção: dois de autoras portuguesas, a Filipa Fonseca Silva e a Susana Amaro Velho, e dois autores estrangeiros, Charles Spencer e Jørn Lier Horst e Jan-Erik Fjell.