A Ann Yeti já não é, para mim, uma autora desconhecida. Haverá Mar é o terceiro romance que leio, após Um fio de Sangue e Um pingo na água.
Haverá Mar, de Ann Yeti, é uma narrativa que se constrói como uma lenta travessia no mar, por vezes dura, mas inevitavelmente transformadora.
Acompanhando várias gerações de uma família, o romance dá palco a cinco mulheres, cinco Marias, cujas vidas, embora distintas nos seus caminhos e nas suas escolhas, se unem por um fio invisível de coragem e resiliência. Ann Yeti não embeleza a existência e experiência feminina, nem a memória familiar, pelo contrário, expõe as suas fissuras, falhas, os silêncios e as dores que passam de geração em geração como marés.
A escrita de Ann Yeti, sensível e bela, conduziu-me por “mares conturbados e de águas salgadas”, de uma história poderosa. Não há finais felizes forçados nem promessas fáceis de redenção.
Baseada em factos reais, a história afirma com honestidade que nem sempre há bonança, e que crescer, amar e sobreviver implica aceitar espinhos, perdas e desilusões. Ainda assim, é precisamente nessa crua realidade que o romance encontra a sua beleza, na força silenciosa destas mulheres, na sua capacidade de continuar apesar de tudo.
Haverá Mar é, assim, uma leitura necessária, que nos lembra que a coragem, tal como o mar, pode ser inquieta, profunda e essencial. Fica sempre o desejo de que o romance tivesse muitos mais capítulos, para poder conhecer mais profundamente estas personagens.
Mas não termino esta minha opinião sem fazer menção à capa, que a meu ver é perfeita e faz jus à história e às personagens. O azul e verde que evoca o mar e as figuras femininas que representam as cinco Marias. Perfeita!
Leitura mais do que recomendada.
🌟🌟🌟🌟
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